sexta-feira, 2 de abril de 2010

Penumbra...

O vento uiva como uma súplica ofegante, agonizando. A noite ouve quieta, misteriosa, negra, cínica. Uma vilã.
Vilã dos amores platônicos; dos poetas: cortesã e não menos que irmã da solidão.
Assim venho a madrugada adentro pensando em você, senhor dos meus desejos pervertidos, indelicados, tristes e amáveis.Pensamentos tolos, infantis quase lorotas e por quê não sê-las? Vem a mim imagens lindas, poéticas, precisas e às vezes me permito sonhar com vozes sussurradas, suor e pele, gemidos talvez, cigarro, sono ronco seu.
A aurora chegará breve mas não me acorda pois nem se quer dormi,mas sonhei em despertar com seu sorriso que já é um sol de fato, com seus olhos meio abertos quase fechados.Felicidade.
O gato me distrai. Você se foi.... Lá vai a noite levou o menino, lá vai a noite levou sem destino... È a extensão do tempo passando sobre meus olhar mais ainda imperceptível a minha alma e meu peito. Ele ainda sangra, ele ainda o quer e não conhece o não, desentendido dos porquês e sem querer lágrimas me inunda a cara e enxugo-as então com um “paninho velho” que chamo de esperança eu o guardo desde criança e ele sempre me seca.
Vou ao espelho e não me vejo.
“- Ridículo, estúpido, covarde, sua criança patética, ninguém morre de desilusão”. Digo a mim com forma de consolação em vão, você ainda continua aqui e dói não poder abortá-lo. Qual será o tempo exato do parto? Vou celebrando a gestação sem fato consumado.
Clareia o dia, a luz me revigora largo as letras, papel, caneta é hora de ir.

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